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Pré-lançamento do livro DESIGN E POLÍTICA

organizadores: RENA, A. & RENA, N.
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Texto de Apresentação e Agradecimento
por Alemar Rena e Natacha Rena

Este livro abarca um conjunto de textos relacionados a projetos que realizamos com profissionais, comunidades, estudantes e pesquisadores envolvidos politicamente com a produção do urbanismo, da arquitetura, da arte e do design. Abrimos com uma apresentação-agradecimento que não irá falar apenas do conjunto de textos presentes nesta publicação, mas constituir um pequeno histórico das diversas ações que envolvem o tema design e política. Vamos aqui contextualizar brevemente, portanto, o ambiente que gerou esta publicação, descrevendo um conjunto de seminários nacionais e internacionais, workshops, e ações acadêmicas, culturais e ativistas que ocorreram entre os anos de 2011 e 2014. Foi, vale notar, neste período tumultuado de acontecimentos que o grupo de pesquisa Indisciplinar, ao qual pertencemos, nasceu.

Um primeiro evento envolvendo o debate sobre design e política que realizamos juntos foi o “Seminário Internacional Design e Política”, curado por nós dentro da Mostra de Design do Café com Letras em 2011. Graças à parceria com Bruno Golgher e o Instituto Cidades Criativas pudemos reunir um conjunto de atores (estudantes, comunidades vulneráveis, pesquisadores, pensadores, arquitetos, artistas, produtores) em diversas ações que nos deram pistas sobre como envolver o design transversalmente na lógica do mercado. Agradecemos a Bruno Golgher pelo convite para a curadoria e a grande parte dos autores dos textos deste livro, que vieram debater conosco, nesta oportunidade, a importância de se pensar a produção criativa atrelada ao desenvolvimento biopolítico das metrópoles contemporâneas. Este evento foi importante no sentido de nos ajudar a pensar a inovação estética e a produção de bens materiais e imateriais atravessados também por um olhar crítico com relação às capturas do capitalismo contemporâneo.

Além do Seminário Internacional, foram realizados nesta ocasião workshops no Aglomerado da Serra e no Jardim Canadá nos quais produziu-se uma série de atividades que até os dias atuais vêm influenciando a produção profissional e acadêmica dos grupos envolvidos.

Agradecemos aos convidados para o seminário que produziram falas e textos cruciais para a qualificação deste debate: Saskia Sassen, Rita Velloso, Christian Ullmann, Peter Pàl Pelbart, Ana Paolo Araújo, Eduardo de Jesus, Nelson Brissac, Javier Barilaro, Alejandro Araque, Lucas Bambozzi, Giselle Beiguelman, Antonio Yemail, Camillo Martinez e Gabriel Zea. Agradecemos também a outros parceiros que foram fundamentais na condução deste ciclo de debates e práticas: Francisca Caporalli e sua equipe do JA.CA; Coletivo 4:25; pesquisadores do Projeto ASAS: Bruno Oliveira e Talita Lessa e mais alguns facilitadores nos workshops como Ana Vaz, Adriano Mattos e Sylvia Herval. Seria importante ainda fazer um agradecimento especial à produtora de todo o evento, Luciana Nunes, pela competência em realizar tantas atividades ao mesmo tempo com muito carinho e atenção.

Dando continuidade a estas atividades, em 2012 fomos convidados por Marina Purri e Aluizer Malab para organizar o evento Ativismo Urbano, no Cidade Eletronika, juntamente com Lucas Bambozzi. Criamos um conjunto de seminários e workshops que mais uma vez adotou o tema da política como mote pra pensar/construir a cidade avançando para a discussão do ativismo. Participaram destas ações: Giuseppe Cocco, Natacha Rena, Rita Velloso, Alejandro Haiek, Antonio Yemail, Todo por la Praxis, Arquitectura Expandida. Também convidamos alguns facilitadores que junto aos convidados internacionais realizaram os workshops: Simone Tostes, Samy Lansky, Eduardo Moreira, Simone Cortezão, Juliana Torres, Marcela Brandão, Adriano Mattos, Marcelo Maia, Lucas Bambozzi, Rodrigo Minelli, Radamés Ajna, Thiago Hersan, Mateus Knelsen, Artur de Leos, Lucas Pretti, Núbia Souza.

O JA.CA também foi parceiro neste projeto e contou com a participação fundamental de Mateus Mesquita nas oficinas de marcenaria e serralheria montadas no Izabela Hendrix para realização dos workshops. Também participaram destas atividades um grande número de estudantes de arte, design e arquitetura, coletivos, movimentos sociais e culturais como a Família de Rua, a Real da Rua e toda uma equipe de skatistas, DJs, MCs, pixadores, grafiteiros e usuários da região do baixo centro de Belo Horizonte, o que foi fundamental para que as intervenções urbanas tivessem um caráter ativista e colaborassem com as lutas pela ocupação livre do território sob o Viaduto Santa Tereza.

Foram produzidas intervenções físicas e objetos de design como o Desloca (equipamento móvel com energia solar e caixas de som com microfone que possibilita duelos de MCs “nômades”), ou peças gráficas como o fanzine “O que acontece aqui?”, sobre o Duelo de MCs

Além disto, para fechar o evento foi realizado um picnic aberto na rua Sapucaí com atividades como troca de mudas de árvores, bazares, banca de livros, performances e apresentações musicais. Agradecemos ao coletivo Micrópolis, que produziu esta festa final em parceria com outros coletivos, estudantes e produtores de ações colaborativas e de ocupação urbana. Agradecemos também ao Lucas Gervilla que gravou parte dos workshops e fez um mini doc sobre todo o processo.

Outros eventos envolvendo design e política, assim como ativismo urbano, arquitetura, movimentos sociais, mapeamentos e cartografias da produção do comum, aconteceram entre 2013 e 2014. Em 2013 fomos, agora já como o grupo Indisciplinar, convidados pelo VAC (Verão Arte Contemporânea) para realizar um seminário sobre arquitetura, urbanismo e política. “O direito à cidade: o que temos em comum” aconteceu englobando a mesa de abertura “Biopolítia da Multidão”, no SESC Paladium, com a participação de Bruno Cava, Alexandre Mendes, Alemar Rena e José Luiz Quadros e um ciclo de debates que aconteceu nos dias seguintes no Restaurante Popular Espaço Criativo, no Edifício Maletta. Nele estiveram presentes diversos pesquisadores, ativistas, movimentos sociais e grupos de pesquisa da UFMG. Agradecemos a alguns participantes: Marcela Silviano, Fernando Nogueira, Felipe Magalhães, Ludmilla Zago e Joanna Ladeira, Bruno Oliveira, Família de Rua, Real da Rua, Praia da Estação, Carnaval de Rua de BH, dentre outros.

Em 2014 novamente curamos com o VAC um evento envolvendo arquitetura e urbanismo. Tratou-se do “Cartografias Biopotentes”, que consistiu em um conjunto de ações aglutinando diversas formas de cartografar criticamente a cidade e suas dinâmicas biopolíticas territoriais. A proposta deste evento também foi atravessada pela crença de que a arte e a arquitetura podem ativar situações multitudinárias que evidenciam novas formas de vida nas cidades, assim como podem também atuar para incentivar uma ampliação de processos colaborativos e autogestionados de construção das metrópoles contemporâneas. Neste sentido, foram convidados para participar com falas e workshops: Bruno Cava, da Universidade Nômade, Ana Ortego, do coletivo Arquitectura Expandida, Pablo de Soto, do projeto Mapeando o Comum, e Gabriel Zea. Como colaboradores fundamentais para que as ações cartográficas tivessem êxito ativista, pesquisadores do grupo Indisciplinar – Ana Isabel de Sá, Paula Bruzzi, Talita Lessa, Igor Bernardes, Priscila Musa, Joviano Mayer, Marcelo Maia, Lua Magalhães, Rodrigo Bastos, David Narvaez, Natacha Rena, Marcelo Maia – atuaram como facilitadores dos workshops juntos a grupos de pesquisadores, comunidades de vilas e favelas, ocupações, dentre outros movimentos sociais e grupos de cicloativismo e agricultura urbana.

Ainda em 2014 organizamos com o Espaço do Conhecimento da UFMG, coordenado por René Lommez Gomes, um projeto de curadoria horizontal denominado “Cartografias do Comum”, que consistiu de seminários, mostras de vídeo e publicações envolvendo grupos de pesquisa acadêmicos, movimentos culturais, sociais e ambientais, coletivos artísticos, ocupações urbanas e outros agrupamentos. Este evento teve como principal objetivo a “ocupação” de uma instituição museal importante no circuito oficial de cultura belorizontina durante o período da Copa do Mundo de 2014, trazendo à tona temas e processos que, certamente, não seriam tratados pelos mecanismos oficiais institucionais (museus, grande imprensa, publicidade do Estado e da FIFA) durante este período. Tendo como foco a consolidação do conhecimento sobre as práticas multitudinárias nas cidades contemporâneas, este projeto buscou instaurar um processo museológico horizontal e desierarquizado. A ideia central consistiu em implicar o museu e grupos universitários em dinâmicas de organização fundamentadas em procedimentos oriundos das ruas, das assembleias populares e dos movimentos autônomos. Pretendeu-se, com esta prática experimental, investigar novas metodologias colaborativas ancoradas na partilha da produção do conhecimento e da cultura envolvendo decisão direta de todos os participantes.

Agradecemos a todos que participaram desta museografia que gerou, inclusive, o “Atlas das Insurgências Multitudinárias”, processo expográfico artesanal e interativo que resultou nas imagens que geraram a capa deste livro. Agradecemos especialmente à autora da capa, Sarah Mattos, que coordenou a confecção deste Atlas, uma das ações constituintes de sua pesquisa de iniciação científica na UFMG intitulada “Cartografias Emergentes”.

Agradecemos à equipe da pesquisa “Cartografias Emergentes da Cultura em Belo Horizonte” – Ana Isabel de Sá, Paula Bruzzi, Fernanda Quintão, David Narvaez, Luiza Magalhães, Sarah Mattos e outros – que construiu o texto final deste livro reunindo algumas das ações citadas acima. Esta pesquisa conforma uma plataforma que envolve design e política num conjunto de tecnopolíticas que possibilitam a participação ampliada da sociedade na construção de um mapa. Este mapa engloba principalmente a produção do comum no território da cidade.

Agradecemos também à UFMG pelo financiamento de bolsas de extensão e de pesquisa para diversos projetos correlatos às ações supracitadas e também às agências de fomento FAPEMIG, CNPq, assim como ao Ministério da Cultura e à Secretaria de Economia Criativa que financiam diretamente a pesquisa “Cartografias Emergentes da Cultura em Belo Horizonte”.

A estrutura deste livro reorganiza textos produzidos em momentos diferentes. Em sua maioria são textos que acompanharam a fala dos autores em encontros e Seminários citados acima. Inicialmente temos um texto introdutório de Eduardo de Jesus – “Design: arte e política?”. O restante do livro encontra-se modulado em 4 eixos temáticos que abarcam o tema design e política: Metrópole, Artesanias, Tecnopolíticas e Cartografias.

No primeiro eixo temático, Metrópoles, os textos são: “Quando ordenamentos visuais que se chocam obscurecem as articulações econômicas”, de Saskia Sassen; “Máquinas Urbanas”, de Nelson Brissac; “O futuro como brasilianização do mundo e do brasil”, de Giuseppe Cocco.

Na sequência temos o segundo eixo temático denominado Artesanias, com os textos: “O artesanato no campo expandido: as diferentes dimensões do fazer político”, de Ana Araújo; “Utopia, realidade e responsabilidade”, de Christian Ullmann e Tania Cristina de Paula; “Mi experiencia con Eloísa Cartonera”, de Javier Barilaro; “Diversidad en baja resolución o el rol del arquitecto en la era de los 140 caracteres”, de Antonio Yemail.

Na terceira parte temos o eixo Tecnopolíticas, constituído de 5 textos: “Design e política: uma introdução ao avesso do avesso”, de Lucas Bambozzi; “A era do capitalismo fofinho e seus dissidentes”, de Giselle Beiguelman; “Infra || super << estructuras”, de Camilo Martinez e Gabriel Zea; “A multidão conectada e as máquinas de resistência”, de Alemar S. A. Rena; “Compresión política de los laboratorios nómadas mediales no2somos + Colombia, en sus procesos pedagógicos de inmersión en las comunidades”, de Alejandro Araque Mendoza.

No quarto e último eixo apresentam-se dois textos que abordam o conceito e a prática da Cartografia: “A arte de viver nas linhas”, de Peter Pál Pelbart, e o “Cartografias emergentes da cultura”, de Ana Isabel Anastasia de Sá, Fernanda Quintão, Natacha Rena e Paula Bruzzi Berquó.

Esperamos que o debate seja proveitoso.

Para baixar aqui:
http://www.editora.fluxos.org/?p=1