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“O conceito recorrente do comum se elabora sobre a ideia de que, em nosso mundo atual, a produção da riqueza e a vida social dependem em grande medida da comunicação, da cooperação, dos afetos e da criatividade coletiva (Negri e Hardt). O comum compreenderia então os ambientes de recursos compartilhados que são gerados pela participação de muitos e que constituem o tecido produtivo essencial da metrópole contemporânea. Se fazemos esta conexão entre o comum e a produção, temos que pensar na economia política, no poder, nos rendimentos e nos conflitos.

No entanto, devido a nossa tradição de separação entre o privado e o público, da propriedade e do individualismo, a propriedade coletiva é todavia difícil de se ver para nossos olhos do final do século XX. Propomos, portanto, uma busca ao comum, uma busca que tomará a forma de um processo de mapeamento. Entendemos a cartografia segundo proposto por Deleuze e Guattari, e como artistas e ativistas sociais a tem usado durante a última década, como uma atuação que pode se converter em uma reflexão, uma obra de arte, uma ação social.

O Brasil, como América Latina toda, é um país especial nas práticas dos commons. O comum bebe de tradições ibéricas (faixanais, rossios, propiedades comunais), da cultura afro (quilombos, criação cultural coletiva, propiedades conjuntas) e indigenas (propiedade coletiva, malokas). Do mutirão ao conceito de ‘comunidade’ que substitue a palavra ‘favela’, o Brasil é uma celeiro de práticas do comum. Porém, o mercado e o capitalismo estão castigando o comum sem piedade.

Belo Horizonte é o objeto deste projeto de mapeamento. Depois da recente e viva onda de protestos, a cidade virou exemplo nítido das cidades rebeldes das que fala David Harvey. Os protestos, as assembleias populares, as intervenções urbanas, apontam para a mobilidade urbana como um bem comum e reivindicam o direito à cidade. Apontam para um direito à cidade, para um novo espaço comum e participativo de convivência.” (Pablo de Soto)

 

Mapeando o Comum é um projeto do arquiteto espanhol Pablo de Soto e já circulou em diversas cidades em processo intenso multitudinário em todo o mundo: Atenas, Istanbiul, Rio de Janeiro e agora São Paulo.

O workshop Mapeando o comum em Belo Horizonte aconteceu durante o evento coordenado pelo Grupo Indisciplinar na programação do Verão Arte Comteporânea de 2014 denominado Cartografias Biopotentes.

Muitos grupos de ativistas e pesquisadores se reuniram durante uma semana para debater o tema dos commons urbanos e criaram um mapa que ainda está em processo.

E a ideia tem sido ocupar a cidade, as redes e também os mapas.

Para acompanhar melhor o processo que é continuado basta acessar ao site:

http://mappingthecommons.net/pt/belo-horizonte/

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