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Seguem os links para o download do livro “A multidão foi ao deserto”, de Bruno Cava. Clique para baixar a capa e o miolo do livro. Abaixo a resenha de Giuseppe Cocco, publicada na orelha de “A multidão foi ao deserto”.

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Os ventos de junho continuam soprando no Brasil. O outono virou primavera. Não um movimento efêmero, mas uma bifurcação. A partir de junho, é possível lutar contra o “lulismo” sem cair nas armadilhas do partido da elite neoescravagista, representada pela grande mídia. Os jovens que só conheceram o governo Lula e seus tímidos avanços decretaram: “queremos mais e melhor”! Amalgamando as lutas de índios e pobres na riqueza e persistência de suas diferenças, a multidão foi capaz de também insurgir-se contra o terror que o estado instaura para tentar reduzir as favelas a senzalas. Os mascarados têm nome, são as Amarildas e Amarildos, que hoje lutam nos morros, subúrbios, periferias e também no Leblon e na Cinelândia.

A multidão foi ao deserto, rumo à construção de um novo povo e de uma nova terra. Socorristas, advogados ativistas, coletivos de projetação, mídias independentes, táticas de autodefe- sa (black blocs) e professo- res das redes municipais e estaduais: a multidão se faz renovando o sincretismo brasileiro, no devir-constituinte e metropolitano das greves da cidade, entre a política dos corpos belos e potentes e as poéticas das ruas. O que Bruno Cava reuniu aqui são potentíssimos fragmentos poéticos dessa política dos corpos. Uma narrativa e uma elaboração teórica escrita no ritmo dos acontecimentos, na fumaça dos lacrimogênios e no meio do barulho das balas de borracha e dos slogans e gritos de resistência dos manifestantes, no devir do êxodo. O livro de Bruno Cava é um evento no evento, mais um belo momento de luta.

Giuseppe Cocco