Select Page

dissertações

A Produção de novas periferias metropolitanas: migração e expulsão dos pobres da RMBH na primeira sécada do século XXI CANETTIERI, Thiago.

“As cidades revelam em sua cartografia socioespacial o funcionamento de diversos mecanismos que atuam, de forma sinérgica, a reproduzir a desigualdade entre as classes. A divisão de classes em âmbito social é expressa, espacialmente e materialmente, na cidade. A atual estrutura interna das grandes cidades brasileiras e, portanto o seu perfil segmentado e segregado do ponto de vista da distribuição espacial dos equipamentos, serviços e nível sóciodemográfico dos seus residentes é, em grande medida, tributária dos processos sociais de acesso ao solo urbano. Esta pesquisa está inserida no contexto da discussão referente ao processo de exclusão social que determina a organização espacial da população em condição de pobreza devido a uma série de mecanismos que estruturam a metrópole contemporânea e objetiva compreender como, frente aos processos de exclusão e gentrificação do espaço, é produzida as novas periferias metropolitanas. Utilizando da metodologia de delimitação da pobreza da linha absoluta foi realizado o mapeamento da organização espacial da pobreza na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e dos fluxos migratórios. A pobreza passa a ter uma forma mais dispersa no território, mais fragmentada e desconexa como a forma da urbanização. Forma-se uma nova periferia metropolitana a partir de uma alteração na distribuição dos fluxos entre os anos de 2000 e 2010 que podem estar relacionadas a dinâmica urbana da região metropolitana. A distribuição da população no espaço acontece de acordo com determinadas lógicas e o modo de produção dominante é o principal fator em determinar a estrutura socioespacial. Dessa forma a população realiza (ou é obrigada) movimentos no espaço para atender alguns elementos estruturantes. A metrópole do século XXI que Belo Horizonte se tornou é composta de espaços fragmentados mas conectadas por realidades diferentes e contrastes sociais brutais.”

(Re) apropriando a centralidade na metrópole MARX, Janaina.

“Este trabalho é uma reflexão sobre a centralidade urbana, seus conceitos e sua produção, aqui analisada a partir da perspectiva lefebvriana, ou seja, da produção social do espaço. Portanto, além de vinculada às relações de produção vigentes, só pode ser compreendida no contexto de uma sociedade específica. Busca-se demonstrar a importância da centralidade, mas também expor seus conflitos que, dentro do modo de produção capitalista, tem se apresentado cada vez mais intensos. Assim, como propõe Lefebvre, também considera-se o “urbano” como horizonte, virtualidade iluminadora, e na centralidade o essencial desse urbano. Mas de que centralidade fala Lefebvre? Esta questão é o fio condutor deste trabalho. Porém, longe de encontrar respostas fechadas ou ‘receitas’, as hipóteses levantadas aqui buscam suscitar o debate sobre a centralidade produzida pela sociedade contemporânea.”

O comum no horizonte da metrópole biopolítica MAYER, Joviano.

“O trabalho, iniciado sob a efervescente atmosfera das jornadas de junho de 2013, parte de uma aposta política que se confirma a cada novo embate travado nas metrópoles brasileiras: a centralidade do comum nas lutas em tempos de capitalismo financeiro globalizado. Se de um lado o comum está ameaçado pela disseminação das parcerias público-privadas no contexto do urbanismo neoliberal, por outro se abre como possibilidade para a produção de resistências positivas e novas subjetividades no seio da metrópole biopolítica. O comum é tomado tanto como trincheira privilegiada de enfrentamento ao Estado-capital, ou seja, a defesa dos bens comuns no contexto da cidade-empresa subjugada ao urbanismo neoliberal, quanto como expressão das novas formas organizativas dos movimentos multitudinários na atualidade, cada vez mais conectados em redes colaborativas e marcados pelo desejo de democracia real, horizontalidade, autonomia, pela produção de afetos, novas subjetividades e modos de vida não capitalistas. O debate teórico que subjaz as apostas em torno do comum passa pela crise do fordismo, pela ascensão do neoliberalismo com a ofensiva público-privada sobre os bens comuns, pelas mutações no mundo do trabalho e do chamado capitalismo cognitivo e imaterial, até a emergência da multidão como novo sujeito político da contemporaneidade que tem na metrópole biopolítica o locus privilegiado de ação biopotente, cenário ainda subjugado ao paradigma hegemônico da cidade-empresa e do planejamento estratégico. Nesse contexto, é razoável apostar que a construção de espaços comuns seja um importante horizonte de convergência possível das forças vivas que enfrentam o Estado-capital. Ao longo desse percurso, o texto é atravessado por alguns excursos, ou “rolezinhos”, escritos de modo imanente e processual a partir das resistências positivas experienciadas em copesquisa cartográfica, método adotado, cujas ferramentas investigativas se mostram adequadas às pesquisadoras e aos pesquisadores ativistas que, mais do que analisar as cidades, almejam transformá-las.”

 “Vivencia-se, hoje, uma crescente expansão das tecnologias digitais de comunicação que as integram à experiência e à infraestrutura das cidades contemporâneas como elementos indissociáveis de sua dimensão físico-territorial, transformando as maneiras pelas quais o espaço é experimentado, percebido, modificado e apresentado. A contaminação da sociabilidade humana pela comunicação em rede se manifesta, contudo, de maneira altamente controversa – uma vez que as mesmas condições estendidas de conectividade mobilizam tanto os principais mecanismos de controle e dominação quanto dispositivos potentes de articulação cidadã, cooperação intelectual e inteligência coletiva. As metrópoles não são impactadas pelos referidos processos, mas, para muito além disso, constituem o território paradigmático desse imbricado campo de tensões. São, ao mesmo tempo, os locais de troca, encontro e produção do comum, assim como o palco de sua expropriação e instrumento contundente de segregação social. Nesse contexto, experimentam-se novos mecanismos de intervenção, apropriação e interação com o ambiente urbano, baseados no compartilhamento e na ampliação de processos decisórios. Tais iniciativas vêm sendo caracterizadas por termos como urbanismo entre pares, cidade open source ou copyleft, em referência direta ao universo informacional, opondo-se às práticas tradicionais de planejamento e de gestão das cidades. Tais propostas são o objeto deste projeto de pesquisa, que se volta às redes de comunicação não com o intuito de responder somente como as cidades podem se transformar por meio da adesão às novidades tecnológicas disponíveis. Propõe-se, em vez disso, pensar em como pautar o desenvolvimento dessas ferramentas em busca de práticas urbanas mais democráticas.”

Nóis pixa, você pinta, vamos ver quem tem mais tinta: direito à cidade e resistência nos espaços urbanos SOARES, Felipe Bernardo Furtado.

“Compreendendo o processo de produção social do espaço como resultado, sempre inconcluso, do confronto entre as forças sociais e políticas associadas ao Estado e ao capital, e entre táticas populares de apropriação e de resistência, pretende-se entender como a pixação participa desse processo. A partir de estudos teóricos da arquitetura, da sociologia e do direito e estudo de legislações, políticas públicas e processos judiciais ocorridos em Belo Horizonte, propõe-se abordar, primeiramente, a produção do espaço desde cima, ou seja, por agentes estatais e capitalistas. Em seguida, com o trabalho de campo realizado e com base no referencial teórico de Michel Maffesoli adaptado às peculiaridades brasileiras por Gustavo Coelho, pretende-se apresentar um pouco da sociabilidade dos pixadores na cidade. O objetivo final é demonstrar como a pixação resiste à produção do espaço desde cima e acaba por criar outra cidade, outros espaços e outro direito.”

 

A Ocupação e a produção de espaços biopotentes em Belo Horizonte: entre rastros e emergências BERQUÓ, Paula Bruzzi.

“Com esta dissertação buscamos investigar possíveis contribuições do acontecimento “A Ocupação” para o engendramento, no contexto de Belo Horizonte, de espaços biopotentes – ou modos de espacialização singulares, alternativos àqueles calcados na mera reprodução dos modelos de sujeição capitalísticos. “A Ocupação” ocorreu em 7 de julho de 2013, na área do Viaduto Santa Tereza. Articulada em rede, de forma colaborativa e autônoma, o acontecimento compôs-se de um emaranhado de processos, alimentados tanto pelas experimentações estéticas e políticas já historicamente presentes na área em questão, quanto pelas novas táticas surgidas em meio às manifestações de rua ocorridas na cidade em junho do mesmo ano. De forma a nele buscar pistas para o traçado de outros espaços possíveis na cidade, um desafio metodológico se impôs logo de início: era preciso encontrar caminhos que não o esvaziassem de sua vitalidade e multiplicidade – características nas quais apostávamos residir, justamente, o seu caráter biopotente. Para isso, utilizamos como parâmetro a ideia de cartografia, tal como proposta por Felix Guattari e Gilles Deleuze em sua obra “Mil Platôs” (1995), e dividimos o trabalho em três eixos. Estes, apesar de sucessivos, foram construídos de forma a configurarem planos entrecruzados. Se no primeiro fez-se um estudo a respeito da ideia de cartografia e foram apontadas possíveis pistas investigativas a serem utilizadas ao longo do percurso, no segundo procedemos a um trabalho de rastreio dos diversos atores e dinâmicas que, de forma conjunta e atravessada, pareciam-nos compor o multifacetado ambiente de “A Ocupação”. Com isso, o intuito foi construir uma narrativa processual e diagramática, por meio da qual a espessura da experiência pudesse se fazer presente. Do campo de ressonâncias assim gerado emergiram uma série de conexões, que apesar de efêmeras e continuamente negociadas, pareceram-nos configurar possíveis nós entre e a tessitura do fenômeno e o engendramento de caminhos para a conformação de “espaços biopotentes” na cidade. Tais emergências foram retomadas de forma mais detida no terceiro e último eixo.”

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com