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(foto de Thiago Rodrigues)

(foto de Thiago Rodrigues)

A Ocupação é uma ação cultural co-construída pela sociedade civil nos espaços públicos de Belo Horizonte. Ela produz-se a partir de questionamentos críticos em torno a estratégias urbanísticas impositivas, que acarretam o cerceamento do caráter comum de tais espaços. A ação surgiu em julho de 2013, motivada pela insatisfação de um amplo grupo de cidadãos a um projeto de requalificação da área do Viaduto Santa Tereza, na região central, e transformou-se, seguidamente, em evento periódico e itinerante, passando a ocorrer em outras localidades afetadas por políticas urbanas autoritárias. O seu caráter performático e o fato de envolver, em suas dinâmicas, potentes ensaios de co-construção, fazem do ato, e esta é a nossa aposta, exemplo do que estamos considerando espaços-comum. Essa expressão refere-se a espaços ou formas de produção espacial que, por meio da ação em comum de singularidades heterogêneas, apresentem-se como alternativas aos mecanismos hierárquicos e de espetacularização presentes nas práticas urbanísticas contemporâneas. Se o espaço urbano funciona como máquina produtora de subjetividade, isto é, de territórios existenciais, desejos e imaginários coletivos, o espaço-comum é onde tal processo se dá com base na singularidade e na partilha. Trata-se, assim, de dinâmicas espaciais que funcionem não como vetores de processos de sujeição, mas, ao contrário, como ativadores, a partir da ação colaborativa, de situações singulares.

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