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Ficou pronto nosso primeiro poster cartilha da coleção INDISCIPLINAR. A ideia é que possamos ir produzindo posters do Indisciplinar com resumos das nossas cartografias.

o corredor cultural ja existe

Este poster é sobre o CORREDOR CULTURAL e todo o processo que envolveu a disciplina UNI 009 Cartografias Emergentes da EAUFMG durante o primeiro semestre de 2013 (antecedendo o movimento multitudinario que ocorreu no Brasil em junho). Muitas das atividades foram desenvolvidas, junto da monografia de Paula Bruzzi Berquó, e com a participação de pesquisadores no processo de construção do programa para o Projeto da PBH do Corredor Cultural. A partir de junho de 2013, a proposta de atividade prática da disciplina se vinculou totalmente ao GT de Cultura da Assembléia Popular Horizontal e às copesquisas do Indisciplinar o que acabou gerando (coletivamente com diversos grupos da cidade) A OCUPAÇÃO cultural.

Esta coleção de posters cartilhas tem sido desenvolvida pelos bolsistas do Indisciplinar Ufmg e com alunos que cursaram a disciplina Cartografias Criticas. Os próximos exemplares serão com os temas da OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA NOVA BH (rodrigo) e do Movimento FICA FICUS (Luiza Fonseca Magalhães ).

Também estamos planejando cartilhas que sejam ao mesmo tempo mapa/ poster de um lado e do outro, cartilha. Na disciplina UNI 009 deste semestre (que foi junto do CARTOGRAFIAS BIOPOTENTES) muitos mapas/cartilhas/ posters estao sendo desenvolvidos baseados nos COMMONS do workshop MAPEANDO O COMUM EM BH.http://mappingthecommons.net/mapeando-o-comum-em-belo-horizonte/ Pra quem não participou do workshop, aqui neste blog temos links pros parâmetros e pro mapa que está em processo. Os participantes do workshop estão realizando coletivamente um artigo pra cada common e muitos estão continunado o workshop na disciplina de segunda à tarde (mesmo sendo de outras universidades).

A ideia é termos uma coleção cidadã envolvendo informações úteis para quem quer se tornar um guardião do COMUM em nossa cidade.

Na época fizemos um texto para divulgar o evento criado na disciplina. Segue abaixo.

 

TEXTO APRESENTAÇÃO DO EVENTO DA DISCIPLINA UNI009 PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS que tem no primeiro semestre de 2013 o tema CARTOGRAFIAS CRÍTICAS

Esta disciplina UNI009_OFICINA MULTIDISCIPLINAR é aberta para todos os alunos de graduação da UFMG e propõe desenvolver projetos SOCIOAMBIENTAIS envolvendo pesquisas e extensões realizadas na Escola de Arquitetura da UFMG. Neste primeiro semestre de 2013, estamos realizando projetos que criticam a gentrificação da área central devido aos projetos de revitalização do centro pela PBH com intuito de higienizar o centro para receber os turistas para a COPA do Mundo 2014.  Os trabalhos que estão sendo realizados fazem parte da copesquisa cartografica CARTOGRAFIAS CRÍTICAS desenvolvida do Grupo de Pesquisa INDISCIPLINAR[1].

(https://www.facebook.com/pages/Indisciplinar/425668724191296?fref=ts).

Estão sendo produzidas cartografias críticas colaborativas por meio de processos participativos de construção dos mapas e de um evento final de ocupa o baixo centro de BH. Estes pretendem revelar espacialmente fenômenos urbanos  socialmente segregadores, característica muito forte nas cidades contemporâneas e, neste caso, Belo Horizonte está totalmente inserida neste processo excludente. As atividades terão como produto peças gráficas, como diagramas e cartografias sintéticas desenvolvidas a partir de dados coletados e em colaboração com as comunidades locais envolvidas, além da finalização da disciplina O EVENTO.

A proposição de projetos de pesquisa relacionados à extensão faz parte das diretrizes gerais do INDISCIPOINAR sediado na escola de Arquitetura da ufmg, o grupo tem suas ações focadas na produção contemporânea do espaço urbano.

O Projeto de Pesquisa CARTOGRAFIAS CRÍTICAS é o primeiro projeto envolvido diretamente com as diretrizes conceituais e práticas do grupo e objetiva-se  investigar, através de inúmeros processos de elaboração e síntese de dados, e inúmeros contatos com as comunidades em estado de vulnerabilidade social envolvidas, a produção contemporânea do espaço em seus múltiplos platôs. Considerada a metropolização e a mundialização – os impasses e  potencialidades decorrentes – , e os processos constitutivos do espaço social, toma-se o urbano em sua capacidade de fazer pensar eforçar criar singularidades. Neste sentido, a dimensão do Comum e a produção da Diferença são norteadores dos estudos e práticas propostas aqui. Considera-se que as estratégias investigativas para a construção do conhecimento são importantes para abordar indissociadamente a teoria da prática, portanto, interessa a Copesquisa como o método adotado na composição dos projetos.

A idéia central deste processo de Copesquisa Cartografica é envolver a investigação teórica e conceitual de forma indissociada das necessidades do mundo real. A prática e a experimentação via cartografias críticas faz parte deste processo. Os conceitos, as teorias, são importantes em tempo real. A pesquisa vai sendo aprofundada à medida da necessidade e o tempo do trabalho é o tempo do aqui-agora. Ao mesmo tempo, a prática participativa e de ação junto à sociedade acontece também no movimento da construção de novos conceitos e novas formas de abordagem e de pensamento sobre o real. Artigos, textos, manifestos, conceitos, teorias, irão surgir ao longo do trabalho e não possuem um tempo exato dentro da pesquisa. O cronograma das atividades se dá de maneira rizomática e entrelaça o pensamento com a prática, acompanhando os acontecimentos cotidianos da cidade e o momento em que se vê necessário uma intervenção. Em cada ação de produção de cartografias, diversas teorias, autores de referência, projetos similares, serão levantados, discutidos, debatidos, e transformados em informação para fundamentar a ação.

Portanto, entende-se a Copesquisa Cartografica, enquanto metodologia, que não separa teoria da prática e agencia atravessamentos de múltiplas ordens. Não dissocia sujeito de objeto e se faz entre sujeitos abertos às mudanças de perspectiva, possuindo uma tenência política militante na qual a produção de conhecimento e o ativismo se sobrepõem.

A escolha dos territórios e comunidades,  a serem envolvidos no projeto, tem levado em consideração os processos de Urbanização Extensiva e Neoliberalização da Política Urbana, determinados por uma lógica dos fluxos do capital flexível. Isto bem direcionando as Copesquisas Cartograficas realizadas pelo INDISCIPLINAR no sentido de fazer pensar criativamente as relações entre micro e macro políticas que compõem o campo social do urbano.  Portanto, conhecer as relações espaciais urbanas e as dinâmicas excludentes em tempos de Capitalismo pós-fordista, Cognitivo e Imaterial, faz parte do processo destas investigações. Alguns conceitos importantes devem ser abordados – Império, Biopoder e Biopolítica X Multidão, Bipolítica e Biopotência, pois delimitam-se áreas de interesse para os estudos que partem do que chama-se aqui de Resistências Positivas: Movimentos Sociais; Arquitetura Social; Ativismo Urbano; Festas Populares; Produções Artísticas de Autoria Coletiva, dentre outras.

Procura-se investigar como os processos de neoliberalização da política urbana em curso afetam diversas comunidades ao longo de seus eixos de atuação. Por isto na disciplina estamos construindo ações que envolvem as cartografias críticas envolvendo as comunidades afetadas por estes projetos desenvolvimentistas. A partir de uma avaliação crítica das experiências de aplicação e concepção de Operações Urbanas, o que vai trazer para o grupo de pesquisadores transdisciplinar, um conjunto de teorias do urbano e das formas de representação da cidade que serão fundamentais na construção de um embasamento teórico e conceitual para a construção das cartografias colaborativas.  Este instrumento urbanístico de flexibilização do uso e ocupação do solo a partir de PPPs vem assumindo uma primazia sobre os demais instrumentos de planejamento previstos no Plano Diretor Municipal, o que tem implicado na crescente subordinação dos interesses coletivos aos privados.

Portanto, é objetivo do INDISCIPLINAR, e obviamente desta pesquisa a qual a disciplina se associa, evidenciar como a Arquitetura e o Urbanismo participam da dinâmica do estado-mercado neoliberal em  processos de gentrificação (limpeza, assepsia, higienização) participando de programas e projetos que utilizando a requalificação dos espaços vai limpando a história do que  não cabe na nobreza do original e, consequentemente, alinhando-se à idéia de higienização espacial. Retornar ao que já foi um dia, apagar os registros e os rastros do cotidiano da cidade é uma posição política e não somente estética. Diversos projetos de requalificação e revitalização levantam a bandeira da melhoria da qualidade ambiental urbana em diversas áreas da cidade, mas seria preciso perguntar: para quem as condições vão melhorar? Porque os pobres não têm direito ao uso do espaço público das regiões nobres ou em processo de enobrecimento? Porque é preciso sempre adotar políticas urbanísticas higienistas para que as regiões possam se tornar ponto turístico dentro de uma lógica cidade-empresa? Questões importante s a serem investigadas neste projeto: Como se dão os processos de gentrificação no mundo e aqui? Qual é o histórico destas políticas urbanas que envolvem as Parcerias Público Privadas? Porque elas surgiram e em nome do quê? Quais as diferenças entre a implementação destas políticas em países europeus, em países latino-americanos e aqui? Observa-se o quanto importante é questionar a falsa neutralidade estética e funcional do discursos arquitetônico. A cultura e seus diversos campos teóricos relacionando cultura e natureza, cultura e civilização, cultura erudita e cultura popular, a lógica cultural do capitalismo tardio, cultura na era do capitalismo cognitivo, cultura e mercado, cidades criativas, cultura e território, cultura e resistência positiva, cultura e biopolítica, ativismo cultural, artes e artesanias, tecnologia social, criação e resistência.

A proposta desta pesquisa é portanto, trabalhar com mapeamentos e ações de militância junto às comunidades e movimentos sociais produzindo Cartografias Críticas colaborativas e desenvolvendo múltiplas formas de abordagem do cotidiano urbano, tanto no sentido de compreensão de realidades complexas, quanto no sentido de auxiliar processos de emancipação social através de atividades de construção coletiva. Estes processos podem envolver informações fundamentais para o empoderamento das comunidades gerando processos de resistência positiva e criativa e mixando a universidade e a sociedade como um todo dentro da idéia do comum, ativando constantemente a importância da inclusão de todos nos processos de planejamento urbano e gestão pública. As cartografias críticas pretendem, assim como sugerem NEGRI & HARDT, trazer à luz à luz as relações íntimas entre a soberania, a lei e o capital e, consequentemente, as relações de poder envolvidas no urbanismo atual.

“A forma primária de poder que realmente nos confronta hoje, no entanto, não é tão dramática ou demoníaca, mas sim terrena e mundana. Precisamos parar de confundir política com teologia. A forma contemporânea predominante de soberania – se ainda pudermos dizer assim – é completamente incorporada e apoiada por sistemas jurídicos e instituições de governança, uma forma republicana caracterizada não só pela regra da lei, mas também em partes iguais pela regra da propriedade. Dito de outra forma, a política não é um domínio autônomo, mas está completamente imersa em estruturas econômicas e jurídicas. Não há nada de extraordinário ou excepcional sobre esta forma de poder. Sua reivindicação de naturalidade, seu funcionamento cotidiano silencioso e invisível, faz com que seja extremamente difícil de reconhecer, analisar e desafiar. Nossa primeira tarefa, portanto, será a de trazer à luz as relações íntimas entre a soberania, a lei e o capital.” (HARD & NEGRI, COMMONWEALTH: 05)

Em tempos desenvolvimentistas, nos quais o Brasil vem se destacando econômica e culturalmente no cenário internacional, assistimos aos preparativos para grandes eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. O incentivo por parte do estado, totalmente alimentado pelo mercado da construção civil vem fazendo com que as novas edificações e intervenções urbanas possuem um caráter comercial e monumental. Projetos de gentrificação e higienização de áreas com interesses turísticos e os diversos financiamentos para revitalizar e requalificar áreas de interesse do mercado, acabam por criar um discurso e um ambiente para que projetos glamorosos, dentro do conceito de cidades criativas, cheias de atrativos para competir com outras cidades e atrair turistas e negócios, pululam por toda a parte. Se até então a arquitetura já existia no país como um indício de desenvolvimento e poder, como manifestação de riqueza simbólica e cultural e realizada somente com e para as classes mais altas, agora assistimos à total elitização da profissão e à união definitiva entre arquitetura e mercado.

Segundo um Coletivo Baobá Voador que tecem uma crítica radical aos processos segregatórios e ao estado de exceção urbanístico devido aos eventos COPA e OLIMPÍADAS no Rio de Janeiro:

“Os consórcios empresa-estado garantem por um lado a falta de transparência dos dados referentes às áreas demarcadas como “própria à moradia estatal”, e por outro permitem arbitrariedades como a demora na retirada de entulhos (…) Em tempos de megaeventos e microguerras se faz necessário produzir novos mapas, resistir, enquanto aos cariocas resta o líquido tracejar de mais uma itinerância, lágrimas e bits. Esse é um manifesto, enfim, pelo direito de reexistir, re-territorializar nossos sujeitos, territórios e redes de afeto.Um grito por uma nova cartografia.”[2]

[1] O grupo é formado por professores, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação oriundos de diversos campos do conhecimento (Arquitetura, Economia, Geografia, Letras, Direito, Filosofia, Engenharia, Design, Biologia, Sociologia, Antropologia, dentre outros) e de várias instituições (Universidad Javeriana de Bogotá, UFMG, Universidade de Itaúna, Puc Minas, Centros Universitários UNA e UNIbh), profissionais e cidadãos interessados na temática urbana. O grupo articula-se em rede com outras instituições e grupos de pesquisa tais como Práxis (EAUFMG), Pólos da Cidadania (Direito UFMG), Cidade e Alteridade (Direito UFMG), Observatório de Políticas Urbanas (PUC Minas);  ONG Real da Rua, Brigadas Populares, dentre outros. As atividades do INDISCIPLINAR compreendem, imbricando-as indissociadamente, teoria e prática, atividades de ensino, pesquisa e extensão (disciplinas, grupos de estudos, publicações, eventos, assessoria técnica, projetos extensionistas e de pesquisa), ativismo urbano e experiências diversas em uma abordagem transversal e indisciplinar na construção de uma experiência criativa e desierarquizada do espaço urbano. Acreditando na COPESQUISA CARTOGRAFICA como forma de pesquisa engajada e militante, possuímos diversas estratégias de ação envolvendo a GERAÇÃO DE TECNOLOGIA SOCIAL (compartilhar e re-aplicar o conhecimento produzido coletivamente. copyleft e produção de metodologias que possam ser multiplicadas): PUBLICAÇÕES (livros; cartilhas; artigos científicos, textos longos e curtos, ensaios, produções artísticas e gráficas em revistas, fanzines e jornais; utilização intensiva da internet e das redes sociais, textos acadêmicos e conectados à realidade cotidianas produzidos para blogs); CARTOGRAFIAS CRÍTICAS (cartografias da produção do espaço produzidas colaborativamente ou não, diagramas, mapas georreferenciados, biomapas, mapeamentos etnográficos); ATIVISMO URBANO através da participação em vários movimentos da sociedade civil organizada e em: Conselhos, Fóruns, Comissões junto ao poder público, reuniões em comunidades, ações na cidade,  diversos movimentos de resistência, manifestações; Produção Cultural e participação em diversas formas de manifestações culturais e de resistência positiva; Formação de redes colaborativas; Orientações de TCC, pesquisas, mestrados e doutorados.

[2] http://baobavoador.noblogs.org/post/2011/09/25/372/